quinta-feira, 12 de julho de 2012


TEMPO

O tempo está ficando curto porque tudo está mais rápido ou tudo está mais rápido porque estamos sem tempo? Newton dizia que o tempo era absoluto e o entendia como um conceito puramente matemático. Ai veio Einstein e disse que o tempo era relativo. E eu, que pouco ou nada sei sobre as teorias físicas do espaço-tempo tenho, cada dia tenho mais certeza, de que o tempo não é absoluto e muito menos relativo. O tempo é, sim, volátil. 
A sensação de que mal acordamos e já está na hora de deitar novamente é cada vez mais comum. Nem sentamos para fazer uma refeição e logo chega a hora de voltar as atividades habituais. Aceleramos, de todas as maneiras, as formas de fazer as coisas do cotidiano. As panelas funcionam na pressão para cozinhar mais rápido, mas falta tempo para se preparar uma boa refeição. Os carros são mais velozes,mas falta tempo para para os encontros familiares. A comunicação é quase que instantânea, através da internet e celular, mas falta o que conversar, pois estamos sempre ocupados. Nos falta tempo para as coisas mais triviais. Os cumprimentos estão cada vez mais escassos. Muitas vezes resume-se a um simples “ oi, tudo bem?”. Onde ambos dizem a mesma coisa e ninguém fica sabendo se um está bem ou outro está mal. Os encontros, além de pouco frequentes, estão reduzidíssimos, pois chegamos, sempre, tarde do trabalho e temos que dormir cedo para no outro dia voltar à mesma rotina e à mesma falta de tempo. O absolutismo e relativismo do tempo foi absorvido por uma volatilidade cada vez mais aparente desse mesmo tempo. Não percebemos que tudo está ficando cada vez mais rápido pela falta de tempo e, também, estamos sem tempo porque tudo está ficando mais rápido. É uma via de mão-dupla. Tudo está interligado e nem nos damos conta do que está a acontecer. Como dizia Gregório de Matos, lá nos idos do século XVI, onde o tempo ainda nem era absoluto e nem relativo: "O tempo não me dá tempo de nem o tempo fruir, e nessa falta de tempo, nem vejo o tempo fugir”

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